Começando pelo começo
Durante os próximos 100 dias, vou estudar um tema relacionado a Product Design por dia — e transformar cada etapa desse processo em uma postagem aqui no site.
A ideia surgiu como um desafio pessoal de estudo, mas percebi que guardar tudo apenas em anotações faria pouco sentido. Se vou dedicar cem dias a pesquisar, experimentar e organizar esses conhecimentos, quero também construir um registro do caminho.
Por isso, esta série não pretende ser um curso definitivo sobre Product Design. É um diário de aprendizado estruturado: conceitos que estou revisando, coisas novas que descubro, exercícios, ferramentas, análises e mudanças na minha própria forma de pensar Design.
Serão 100 dias e 100 postagens.
E para começar, preciso responder à pergunta mais básica de todas:
Afinal, o que é Product Design?
Product Design não é apenas desenhar telas
Quando encontramos a expressão Product Design associada a produtos digitais, é muito fácil imaginar imediatamente interfaces, aplicativos, botões, wireframes e protótipos.
Essas coisas fazem parte do trabalho.
Mas são apenas uma parte.
Product Design está mais relacionado a projetar como um produto resolve um problema do que simplesmente decidir como esse produto vai parecer.
Isso significa pensar nas pessoas que vão utilizá-lo, no contexto em que essa experiência acontece, nos objetivos do negócio, nas limitações técnicas e na forma como todas essas partes podem coexistir em uma solução viável.
A interface é uma manifestação desse processo.
Ela não é necessariamente o começo dele.
Um produto começa antes da tela
Imagine um aplicativo para marcar consultas médicas.
Seria possível começar imediatamente desenhando uma tela com:
“Escolha sua especialidade”
e depois criar botões, calendário, perfil do médico e confirmação do horário.
Mas ainda existem várias perguntas anteriores ao desenho dessa interface.
As pessoas realmente têm dificuldade para marcar uma consulta?
Em qual parte do processo?
Elas sabem qual especialidade procurar?
Precisam escolher um médico específico?
O problema acontece no agendamento ou antes dele?
Existem limitações relacionadas ao sistema da clínica?
Como os horários são disponibilizados?
Dependendo das respostas, talvez aquela primeira tela nem seja a solução correta.
É aqui que Product Design começa a ficar interessante.
Antes de perguntar:
Como eu desenho isso?
é preciso perguntar:
O que estamos tentando resolver?
Então, o que faz um Product Designer?
O trabalho pode acontecer em vários momentos da vida de um produto.
Dependendo da empresa, da equipe e do projeto, uma pessoa trabalhando com Product Design pode participar de:
- pesquisa e compreensão das pessoas usuárias;
- definição e enquadramento de problemas;
- jornadas, fluxos e arquitetura da experiência;
- criação de wireframes, interfaces e protótipos;
- testes de usabilidade e validação de hipóteses;
- acompanhamento do desenvolvimento;
- análise do produto depois do lançamento;
- novas iterações a partir de dados e feedbacks.
É por isso que reduzir Product Design a “fazer telas bonitas” deixa muita coisa de fora.
O produto continua sendo projetado antes, durante e depois de a interface existir.
Representando um processo iterativo
- PROBLEMA
- PESQUISA
- HIPÓTESE
- SOLUÇÃO
- TESTE
- APRENDIZADO
- ITERAÇÃO
Esse fluxo não representa um processo único ou universal de Product Design. É apenas uma maneira didática de visualizar algo importante: produtos raramente são pensados uma vez e considerados “prontos”.
Eles são investigados, testados, aprendidos e modificados continuamente.
UX, UI e Product Design são a mesma coisa?
Não exatamente, embora exista bastante interseção entre essas áreas.
UX Design está particularmente interessado na experiência: necessidades, comportamentos, jornadas, dificuldades e a maneira como uma pessoa interage com determinado produto ou serviço.
UI Design trabalha mais diretamente com a camada de interface: hierarquia visual, componentes, tipografia, cores, estados, consistência e maneiras de tornar aquela interação compreensível.
Product Design, especialmente no contexto de produtos digitais, tende a olhar para uma camada mais ampla do problema e acompanhar o produto ao longo do seu desenvolvimento.
Na prática, as fronteiras nem sempre são perfeitamente definidas.
Uma empresa pode separar essas funções entre várias pessoas. Outra pode ter uma única pessoa executando boa parte delas.
Por isso, talvez seja mais útil compreender o raciocínio por trás dessas disciplinas do que decorar fronteiras rígidas entre cargos.
Design também é escolher o problema
Uma das ideias que mais me interessa em Product Design é justamente essa mudança de perspectiva.
O trabalho não começa necessariamente quando alguém entrega um problema pronto ao designer.
Às vezes, uma parte essencial do processo é descobrir se estamos tentando resolver o problema certo.
Uma interface pode ser visualmente impecável, tecnicamente funcional e ainda assim resolver algo que ninguém precisava.
Por outro lado, uma solução aparentemente simples pode gerar muito valor quando nasce de uma boa compreensão do contexto.
Isso muda bastante a pergunta que orienta o projeto.
Em vez de:
“O que vamos criar?”
podemos começar com:
“Por que precisamos criar alguma coisa?”
Por que estudar isso durante 100 dias?
Minha trajetória em Design sempre atravessou áreas diferentes, e talvez seja justamente por isso que este desafio faça sentido para mim.
Não quero usar os próximos cem dias apenas para acumular conceitos ou decorar nomes de metodologias.
Quero observar como essas ideias se conectam.
Como pesquisa interfere em uma interface.
Como uma decisão visual pode alterar comportamento.
Como tecnologia impõe limitações.
Como objetivos de negócio entram na conversa.
Como uma solução muda depois que pessoas reais começam a utilizá-la.
Algumas postagens desta série serão mais conceituais. Outras serão exercícios, análises, ferramentas, estudos de caso ou pequenas reflexões.
O compromisso é outro:
todos os dias, entender alguma coisa um pouco melhor do que eu entendia antes.
Dia 01 — meu ponto de partida
Se eu tivesse que resumir o primeiro aprendizado deste desafio em uma frase, seria:
Product Design não começa pela solução. Começa pela compreensão do problema.
Parece simples.
Mas essa frase muda completamente a maneira de olhar para uma tela em branco.
Porque talvez a primeira coisa que um designer de produto precise desenhar não seja uma interface.
Talvez seja uma pergunta.
01 de 100
Este é o primeiro registro do 100 dias de Design, um desafio pessoal em que vou estudar Product Design, UX e produtos digitais durante cem dias e transformar cada etapa em uma publicação neste site.
100 dias.
100 assuntos.
100 postagens.
E esta foi a primeira.

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